Você já deve ter ouvido falar em Smart Cities ou Cidades Inteligentes. São aquelas que usam a tecnologia de modo estratégico para melhorar a infraestrutura, otimizar a mobilidade urbana e criar soluções sustentáveis. Ou seja, tornar os centros urbanos mais eficientes e melhores de se viver.
Sendo assim, as Cidades Inteligentes são uma realidade cada vez mais próxima. Ainda mais que este conceito trabalha com questões que vão muito além da tecnologia. Especialistas defendem que o significado de cidade inteligente é amplo e indefinido.
Para a realidade brasileira, por exemplo, mais do que ter uma cara extremamente futurista, uma Smart City precisa trabalhar com a inclusão. Ou seja, um projeto que entenda e beneficie as mais diferentes realidades socioeconômicas existentes nos municípios, de norte a sul do País. O mais importante aqui é oferecer os serviços com qualidade.
Como se faz uma cidade inteligente
De acordo com o pesquisador Ph.D em Urbanismo norte-americano Boyd Cohen, o desenvolvimento tecnológico e a integração social fazem parte das três gerações de cidades inteligentes. O teórico defende que a primeira geração é a top-down, quando tecnologias de ponta são inseridas dentro das cidades.
Já a segunda seria a liderança de governo, onde as entidades públicas determinam ações que promovem a melhor relação entre cidade e população por meio da tecnologia. E na terceira geração, chamada de governança em rede, os agentes públicos, privados e da sociedade se unem para determinar ações prioritárias e possíveis soluções para as cidades.
Vale lembrar que, os municípios que se propõem a desenvolver projetos com base neste conceito não precisam necessariamente passar pelos três estágios.
Porta de entrada para as Cidades inteligentes
No Brasil, há bons cases a serem valorizados e tomados como modelo de cidades inteligentes nas mais diversas esferas. Como, por exemplo, Curitiba (PR) e São Paulo (SP), que se destacam quando o assunto é estruturas bem-sucedidas de urbanismo. As duas cidades são modelos em atendimento urbano integral de água e esgoto, e mobilidade e acessibilidade, respectivamente.
Outro ponto que podemos elencar como sendo um dos primeiros passos para colocar um município no patamar de Smart City é a telegestão na iluminação pública. Isso porque o sistema de rede em malha de cada poste permite conectar todo o espaço urbano e assim levar soluções de IoT a outros serviços públicos. Entre eles transporte coletivo, distribuição de energia, água e telefonia. Junto a isso possibilita integrar e transmitir dados em tempo real a diversos órgãos públicos, a exemplo de bombeiros, hospitais, defesa civil e polícia.
Em Santa Catarina, Palhoça ostenta hoje o título de primeira cidade do Brasil com 100% do seu parque de iluminação pública em LED e com telegestão. Com a modernização elaborada e desenvolvida pela QLuz, em parceria com a Prefeitura, o município tem apresentado uma economia média mensal de 63% aos cofres públicos. Sendo que, os seus mais de 27 mil pontos de iluminação contam com o monitoramento remoto do parque em tempo real. Tecnologia que permite, principalmente, detectar e resolver falhas de forma mais ágil e eficaz.
Entre as principais aplicações que poderão ser implementadas na cidade estão as relacionadas às soluções de trânsito e mobilidade urbana. Como sincronização de semáforos conforme fluxo de carros, indicação de vagas de estacionamento, captura de imagens do movimento de tráfego, além de eventuais acidentes. Mas também já há experiências com sensoriamento de qualidade do ar, clima, poluição sonora e alertas por mensagens de celular sobre catástrofes e enchentes.
Tendências do mercado de cidades inteligentes
Como falamos anteriormente, a construção de uma cidade inteligente vai além do uso de tecnologia. Os projetos precisam estar alinhados a conceitos urbanos mais sustentáveis e que ofereçam facilidades e qualidade de vida para a população.
Para isso, de acordo com a Smart City Expo Curitiba 2022, o mercado segue algumas tendências:
Veículos elétricos
A presença dos carros elétricos ainda é tímida no Brasil, mas a expectativa é que essa realidade mude nos próximos anos. E isso impacta justamente em um dos pontos que é tão sensível nas cidades: a não emissão de gases poluentes e a diminuição do barulho em vias urbanas.
Inteligência artificial
Otimizar processos e economizar tempo em tarefas estratégicas para o bom funcionamento das cidades é outro ponto fundamental. E, nisso entra o uso de inteligência artificial para controlar iluminação, semáforos e segurança pública, por exemplo.
Destinos turísticos inteligentes
Uma cidade inteligente também deve considerar os grandes efeitos da globalização para apresentar soluções para turistas e visitantes. E, dessa forma, facilitar a interação e a integração com turistas antes, durante e depois da viagem. Cuidado que vai aumentar a experiência de visitação e posicionar a cidade como um destino turístico inteligente.
Interesse pela mobilidade urbana
A mobilidade urbana está diretamente relacionada ao deslocamento das pessoas em uma cidade, que tem como objetivo desenvolver relações sociais e econômicas. Ônibus, metrô, outros transportes coletivos e carros fazem parte das soluções de mobilidade.