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Entenda o que é racionamento energético e quais os riscos de um novo apagão

QLuz Palhoça
28/06/2021

Nos últimos dias, com certeza, você deve ter ouvido falar sobre o fantasma do apagão! E por que todo esse alarde? Bem, porque estamos diante da pior seca dos últimos 91 anos, e a energia elétrica, que chega em sua casa, é gerada principalmente por hidrelétricas. Assim, há uma grande preocupação com a possibilidade de acontecer um racionamento energético similar ao vivenciado no Brasil em 2001.

A situação já é considerada crítica nos reservatórios das usinas hidrelétricas de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. A grande questão é que eles representam 70% da capacidade de armazenamento de água para geração de energia no país. Por isso, o governo federal emitiu um alerta de emergência hídrica no mês passado.

Desse modo, há um grande debate sobre medidas que devem ser adotadas pelo governo para minimizar os impactos da estiagem e evitar cortes de energia. Continue lendo este post, e saiba qual a probabilidade de isso acontecer e quais as consequências para a sociedade. Vamos lá!

Mas, afinal, o que é racionamento energético?

Um racionamento energético é a redução do fornecimento de energia elétrica aos consumidores finais, como residências e indústrias, decretado pelo governo. Na prática, é realizado por meio de cortes de energia e/ou por medidas de estímulo à redução do consumo.

É uma medida que o governo pode lançar mão quando a demanda está para exceder a capacidade geradora e operacional do sistema de transmissão e, assim, evitar um colapso.

Mas por que se chega a esse limite? Veja, um sistema pode passar por períodos críticos por alguns fatores, ou a soma deles. Entre os quais: condições ambientais, falta de gestão adequada da rede e influência do mercado de energia. Vamos ver como isso ocorre na prática com o exemplo do apagão de 2001 em nosso país.

Falta de energia em 2001 no Brasil

Se você tem mais de 30 anos, com certeza, não se esqueceu do apagão de 2001. De qualquer forma, recordaremos aqui, até para expor aos mais jovens esse episódio da história que ronda nossos dias.

Na época, o Brasil enfrentou um racionamento energético sem precedentes. E foi longo! Vigorou por nove meses, entre 1º de julho de 2001 e 19 de fevereiro de 2002.

O Brasil enfrentava uma grande estiagem, que reduziu drasticamente os níveis dos principais reservatórios de água nas regiões Sudeste e Nordeste. Mas outros fatores colaboraram, e muito, como a falta de planejamento e baixo investimento na geração e distribuição de energia dos anos anteriores.

Multas salgadas em 2001

Diante de um iminente colapso do sistema energético brasileiro, o então presidente Luiz Henrique Cardoso criou o programa de racionalização do consumo de energia elétrica. O pacote de medidas obrigava os consumidores residenciais e industriais a reduzirem em 20% a carga de eletricidade, sob o risco de serem multados ou terem o fornecimento cortado. O valor das multas era bem salgado, e variava entre 50% e 200%. Por outro lado, foram estabelecidos bônus por consumo abaixo da meta.

Enfim, o racionamento energético conseguiu evitar o colapso, mas impactou na vida da população. Podemos dizer que até mesmo na segurança, afinal um terço das luminárias da iluminação pública foram apagadas neste período.

O fato também prejudicou consideravelmente a imagem do governo. Tanto que muitos analistas afirmam que a medida influenciou até mesmo a eleição daquele ano, ao qual o candidato do partido do então presidente perdeu o pleito.

De antemão, precisamos entender que, mesmo com uma seca mais severa que a de 2001, houve ampliações na geração e sistema de transmissão no país. Além disso, o setor diversificou as matrizes energéticas.

Bandeira vermelha 2

Desse modo, as hidrelétricas, que representavam mais de 80% do parque energético há 20 anos, hoje somam 65%, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Essa mudança aconteceu com o crescimento das energias limpas, como a eólica e a solar, que atualmente configuram 10% do sistema, e a biomassa, com 9%. O restante se trata de termelétricas, sobretudo a gás natural, mais caras e poluentes. 

Para minimizar o impacto da seca, o governo já decidiu reduzir a vazão em duas hidrelétricas na Bacia do Paraná. Além disso, autorizou ativar todas as termelétricas, o que encarece o custo da geração.

Entre as consequências dessas ações está a cobrança de bandeira vermelha 2 na tarifa de energia elétrica. Isto é, uma taxa extra de R$ 6,24 a cada 100 kWh consumidos.

Mas a estiagem pode afetar ainda mais o seu bolso, pois a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) anunciou que o custo adicional pelo acionamento das termelétricas deve ultrapassar R$ 9 bilhões. Nesse sentido, a tarifa deve ser reajustada em 20%!

O governo também anunciou que estuda um programa de deslocamento do consumo de energia nos horários de pico, com descontos nas tarifas e campanhas para a redução do consumo residencial.

Racionamento de energia: pode ocorrer novamente?

O Ministério de Minas e Energia e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) vêm descartando a possibilidade de apagão. A maior parte dos especialistas também concordam, mas consideram que há riscos de ocorrer blecautes pontuais nos horários de pico, em que há maior pressão nas hidrelétricas. Assim sendo, é bom evitar o consumo de energia das 18h às 19h.

No entanto, jornais, como o Estadão, afirmam que o governo tem em mãos uma medida provisória que cria um comitê de crise. E o que este grupo poderia decidir? Bem, a MP daria poder para adoção de um programa de racionalização compulsória aos moldes de Fernando Henrique.

Quais as consequências de um racionamento para a sociedade?

Caso haja um racionamento energético, um dos principais impactos será na economia, que já sofreu bastante por conta da pandemia. E também ocasionaria em um aumento da tarifa.

Um relatório da corretora XP Investimentos concluiu que o problema da estiagem “pode ser um limitador ao crescimento potencial do Brasil” e que a situação “é claramente um risco para a inflação”.

Nesse sentido, o apagão de 2001 é um exemplo. Devido ao racionamento energético, as indústrias também tiveram de reduzir a produção. O resultado foi que o PIB (Produto Interno Bruto), que havia crescido 4,4% no ano anterior, desacelerou para 1,4%.

Outro levantamento também mostrou a gravidade do rombo na economia. A auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) revelou que o racionamento energético, daquele ano, causou perdas de R$ 45,2 bilhões. E quem arcou com a conta? Ora, a maior parte saiu do bolso do consumidor.

Remodelar o sistema energético

Com a vacinação, os empreendimentos tendem a retomar a produção. Logo, necessitará de energia. Assim, mais do que incentivar o consumo consciente, é fundamental realizar investimentos em energias alternativas. Ou seja, é preciso remodelar nossa matriz energética!

Outra ação imprescindível é ampliar o incentivo à eficiência energética. A cidade de Palhoça já está neste caminho. Nós da QLuz estamos modernizando todo o parque de iluminação pública com luminárias em LED. Sua economia pode ultrapassar 60% em comparação às lâmpadas tradicionais.

E isso é algo que você pode fazer em casa também. Sempre optar por lâmpadas LED, assim como equipamentos com selo Procel de Eficiência Energética. Desse modo, juntos conseguiremos enfrentar o fantasma do racionamento energético!

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