Imagine como seria ter de andar nas ruas à noite sem contar com a luz dos postes? Pois bem, podemos dizer que esse é um recurso relativamente recente na linha do tempo da iluminação pública no Brasil. Faz menos de 150 anos que o país passou a contar com energia elétrica.
Dos tempos em que a Lua e o fogo eram as únicas fontes de luz até às inovadoras luminárias em LED, diversos artifícios serviram para iluminar o caminho da população. E mais: cada tecnologia que surgiu nessa área, durante a história, retrata os passos da evolução da nossa sociedade.
Se interessou? Quer saber a trajetória da iluminação pública no Brasil? Venha com a gente neste post, que vamos mostrar inúmeras curiosidades!
O início da iluminação artificial na história
A iluminação noturna sempre teve como função primordial a proteção da vida. Desse modo, se na pré-história ela era importante para avistar predadores, hoje serve para garantir a segurança pública das nossas cidades.
As primeiras fontes construídas para iluminar foram as tochas primitivas, já que o fogo foi um dos primeiros recursos que o ser humano aprendeu a manusear.
As civilizações antigas, como os fenícios e egípcios, aperfeiçoaram o artefato com o tempo. Utilizavam, por exemplo, madeiras embebedadas com resinas ou piches para uso portátil. Os primeiros registros de uso na iluminação pública advêm da Grécia.
Tempos das lamparinas
Em seguida, surgiram as lamparinas. Isto é, recipientes com uma haste no centro, em que a chama é mantida por óleos, sobretudo de oliva.
Na sequência, vieram os lampiões, constituídos primeiramente com armação de cerâmica e, posteriormente, também com metais. Neles, a luz é protegida por um anteparo de vidro, abastecido inicialmente com óleo de animais e plantas, e posteriormente a gás.
Esses artefatos foram muito usados no mundo inteiro, bem como aqui em nosso país. Agora que você conhece os primeiros passos do “caminho da luz”, vamos ver como ocorreu a evolução da iluminação pública no Brasil.
Iluminação pública no Brasil colônia
Os registros apontam que, quando os portugueses chegaram em terras tupiniquins, em 1500, os povos indígenas no Brasil usavam apenas a luz da lua e do fogo para se guiarem na escuridão.
Desse modo, as primeiras lamparinas chegaram com os europeus nos tempos de colônia portuguesa. No entanto, como eram artigos caros, apenas a elite e a nobreza tinham acesso. Seu custo era dispendioso por necessitar de óleo de oliva, produzido apenas na Europa.
Mais tarde, o óleo de oliva ganhou substitutos, como óleo de coco e de mamona, abundantes no país. Os derivados de gordura animal também ganharam espaço, assim como as velas de cera de abelha, sebos e gordura. Assim, o uso das lamparinas se tornou menos restrito.
Luzes nas fachadas em datas comemorativas
Até o século XVIII, a luz era utilizada de forma privada. Desse modo, não existia conceito de iluminação pública. Os lampiões e lamparinas eram usados de forma fixa nas casas ou de maneira portátil quando alguém saía. Desse modo, as ruas à noite eram ambientes escuros e perigosos. Uma curiosidade é que as luzes brilhavam no ambiente externo, apenas nas ocasiões de comemorações, em que os cidadãos iluminavam as fachadas de suas moradas com velas.
No entanto, o século XVII chegou, marcando a grande era da Revolução Industrial. Assim, as primeiras cidades começaram a receber iluminação pública no Brasil, com lamparinas de óleos animais e vegetais. Cabe ressaltar que, diariamente, os trabalhadores precisavam acendê-las!
A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, instalou os primeiros aparatos em 1794. Já São Paulo levou mais tempo para receber lamparinas em suas ruas. Isso ocorreu somente em 1830. Por outro lado, a maior cidade do país foi a primeira a implantar a iluminação pública a gás. Fato estabelecido em 1854.
A chegada da iluminação elétrica
Assim que Thomas Edison apresentou ao mundo a lâmpada incandescente em 1879, Dom Pedro II abriu as fronteiras do país para receber a invenção. Diante disso, o imperador ordenou a instalação da primeira instalação permanente de iluminação com uso de eletricidade. E onde foi? Na famosa Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
A primeira cidade a receber luz elétrica nas ruas foi Campos dos Goytacazes, maior município do interior do Rio de Janeiro, em 1883. Isso ocorreu pelo fato da cidade ter recebido uma usina termelétrica. Aliás, foi a primeira cidade a inaugurar a iluminação pública em toda a América latina.
Logo em seguida, foi a vez de Rio Claro, em São Paulo. O pioneirismo teve o mesmo motivo, a presença de uma usina elétrica.
Mais tarde, vieram cidades como Curitiba, Maceió e Juiz de Fora. Somente depois da virada do século que as duas cidades mais importantes do país começaram a implantar o serviço de iluminação elétrica. O Rio de Janeiro em 1904, e São Paulo, em 1905.
É importante ressaltar que a energia elétrica e a iluminação pública com lâmpadas incandescentes contribuíram para o desenvolvimento da industrialização do Brasil. A implementação destas foi importante para a ampliação de turnos nas fábricas, a oferta de entretenimento e o crescimento das metrópoles.
A era da iluminação LED
A iluminação pública foi mantida por lâmpadas incandescentes, até a década de 1960 e, em menor escala, as fluorescentes. Mais tarde, foram substituídas pelas luminárias de descarga de alta pressão, as quais a luz é gerada pela passagem de corrente elétrica através de um gás ou mistura com vapores.
Primeiro, vieram as luminárias que funcionavam à base de vapor de mercúrio, em 1930. Depois, chegaram as de vapor de sódio e vapor metálico, no final do último milênio. Um dos problemas desses dispositivos é que os gases utilizados se tratam de metais pesados, altamente prejudiciais ao meio ambiente.
A partir de 2000, as luminárias em LED começaram a ganhar espaço nas ruas das cidades e hoje já são bem populares. Tal dispositivo é superior às suas antecessoras, a começar pela sustentabilidade. Afinal é uma tecnologia atóxica.
Eficiência energética
Um grande diferencial do LED é a sua eficiência energética, que pode ultrapassar 60% de economia em relação aos modelos tradicionais. Isso se deve a sua tecnologia, que converte diretamente a energia elétrica em luz, evitando, assim, perdas de calor. Já as convencionais dissipam muita energia, por necessitar de filamentos e reatores que aquecem.
As luminárias em LED também têm alta durabilidade, pela resistência ao impacto, e por possuir aproximadamente 65 mil horas de vida útil, ou seja, cerca de 12 anos de uso.Outro ponto importante é que elas possuem melhor qualidade visual. Este benefício advém de três características: emitir luz branca e focal, com alta nitidez das cores.
Ao percorrermos a história da iluminação pública, vemos como a evolução das tecnologias ocorre de maneira cada vez mais rápida para garantir conforto e segurança à população.
Hoje as luminárias em LED trazem vantagens que há pouco tempo poderia parecer coisa de ficção científica, como possibilitar a interatividade com monitoramento remoto. Se é assim agora, pense como será a iluminação pública daqui a vinte anos?